ANTES DA CHUVA


Do mundo virtual ao espiritual

Ao  viajar pelo Oriente, mantive contatos com monges do Tibete, da Mongólia, do  Japão e da China. Eram homens serenos, comedidos, recolhidos em paz em seus  mantos cor de açafrão. Outro dia, eu observava o movimento do aeroporto de São  Paulo: a sala de espera cheia de executivos com telefones celulares,  preocupados, ansiosos, geralmente comendo mais do que deviam. Com certeza, já  haviam tomado café da manhã em casa, mas como a companhia aérea oferecia um  outro café, todos comiam vorazmente. Aquilo me fez refletir: “Qual dos dois  modelos produz felicidade?”

Encontrei  Daniela, 10 anos, no elevador, às nove da manhã, e perguntei: “Não foi à  aula?” Ela respondeu: “Não, tenho aula à tarde”. Comemorei: “Que bom, então de  manhã você pode brincar, dormir até mais tarde”. “Não”, retrucou ela, “tenho  tanta coisa de manhã…” “Que tanta coisa?”, perguntei. “Aulas de inglês, de  balé, de pintura, piscina”, e começou a elencar seu programa de garota  robotizada. Fiquei pensando: “Que pena, a Daniela não disse: “Tenho aula de  meditação!”

Estamos construindo  super-homens e supermulheres, totalmente equipados, mas emocionalmente  infantilizados. Por isso as empresas consideram agora que, mais importante que  o QI, é a IE, a Inteligência Emocional. Não adianta ser um superexecutivo se  não se consegue se relacionar com as pessoas. Ora, como seria importante os  currículos escolares incluírem aulas de  meditação!

Uma progressista cidade do  interior de São Paulo tinha, em 1960, seis livrarias e uma academia de  ginástica; hoje, tem sessenta academias de ginástica e três livrarias! Não  tenho nada contra malhar o corpo, mas me preocupo com a desproporção em  relação à malhação do espírito. Acho ótimo, vamos todos morrer esbeltos: “Como  estava o defunto?”. “Olha, uma maravilha, não tinha uma celulite!” Mas como  fica a questão da subjetividade? Da espiritualidade? Da ociosidade amorosa?

Outrora, falava-se em realidade:  análise da realidade, inserir-se na realidade, conhecer a realidade. Hoje, a  palavra é virtualidade. Tudo é virtual. Pode-se fazer sexo virtual pela  internet: não se pega aids, não há envolvimento emocional, controla-se no  mouse. Trancado em seu quarto, em Brasília, um homem pode ter uma amiga  íntima em Tóquio, sem nenhuma preocupação de conhecer o seu vizi­nho de  prédio ou de quadra! Tudo é virtual, entramos na virtualidade de todos os  valores, não há compromisso com o real! É muito grave esse processo de  abstração da linguagem, de sentimentos: somos místicos virtuais, religiosos  virtuais, cidadãos virtuais. Enquanto isso, a realidade vai por outro lado,  pois somos também eticamente virtuais…

A  cultura começa onde a natureza termina. Cultura é o refinamento do espírito.  Televisão, no Brasil - com raras e honrosas exceções -, é um problema: a cada  semana que passa, temos a sensação de que ficamos um pouco menos cultos.

A  palavra hoje é ‘entretenimento’; domingo, então, é o dia nacional da  imbecilização coletiva. Imbecil o apresentador, imbecil quem vai lá e se  apresenta no palco, imbecil quem perde a tarde diante da tela. Como a  publicidade não consegue vender felicidade, passa a ilusão de que felicidade é  o resultado da soma de prazeres: “Se tomar este refrigerante, vestir este  tênis,­ usar esta camisa, comprar este carro, você chega lá!” O problema é  que, em geral, não se chega! Quem cede desenvolve de tal maneira o desejo, que  acaba­ precisando de um analista. Ou de remédios. Quem resiste, aumenta a  neurose.

Os psicanalistas tentam  descobrir o que fazer com o desejo dos seus pacientes. Colocá-los onde? Eu,  que não sou da área, posso me dar o direito de apresentar uma su­gestão.  Acho que só há uma saída: virar o desejo para dentro. Porque, para fora, ele  não tem aonde ir! O grande desafio é virar o desejo para dentro, gostar de si  mesmo, começar a ver o quanto é bom ser livre de todo esse condicionamento  globalizante, neoliberal, consumista. Assim, pode-se viver melhor. Aliás, para  uma boa saúde mental três requisitos são indispensáveis: amizades,  auto-estima, ausência de estresse.

Há uma  lógica religiosa no consumismo pós-moderno. Se alguém vai à Europa e visita  uma pequena cidade onde há uma catedral, deve procurar saber a história  daquela cidade - a catedral é o sinal de que ela tem história. Na Idade Média,  as cidades adquiriam status construindo uma catedral; hoje, no Brasil,  constrói-se um shopping center. É curioso: a maioria dos shopping  centers tem linhas arquitetônicas de catedrais estilizadas;  neles não se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa de  missa de domingos. E ali dentro sente-se uma sensação paradisíaca: não há  mendigos, crianças de rua, sujeira pelas  calçadas…

Entra-se naqueles claustros  ao som do gregoriano pós-moderno, aquela musiquinha de esperar dentista.  Observam-se os vários nichos, todas aquelas capelas com os veneráveis objetos  de consumo, acolitados por belas sacerdotisas. Quem pode comprar à vista,  sente-se no reino dos céus. Se deve passar cheque pré-datado, pagar a crédito,  entrar no cheque especial, sente-se no purgatório. Mas se não pode comprar,  certamente vai se sentir no inferno… Felizmente, terminam todos na  eucaristia pós-moderna, irmanados na mesma mesa, com o mesmo suco e o mesmo  hambúrguer do McDonald’s…

Costumo  advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas: “Estou apenas fazendo  um passeio socrático.” Diante de seus olhares espantados, explico: “Sócrates,  filósofo grego, também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro  comercial de Atenas. Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia:  “Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser  feliz.”

Frei Betto é escritor, autor, em parceria com  Luis Fernando Veríssimo e outros, de “O desafio ético” (Garamond), entre  outros livros.




Escrito por Marina às 20h16
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Tibet

Ajude esse país a conquistar a liberdade

A campanha SOSTIBET informa:
Todo ano, na data do aniversario de Sua Santidade o Dalai Lama, no dia 6 de julho, comemora-se o Dia Internacional do Tibete. Esta data é uma oportunidade imperdível para prestar homenagem à cultura tibetana, uma cultura muito rica e bonita, mas perseguida e ameaçada de extinção.

Também é uma imperdível oportunidade para oferecer apoio ao povo tibetano, que está tendo os seus mais básicos direitos constantemente violados. Para o povo tibetano não existe nenhum tipo de liberdade. Não há liberdade de religião, nem liberdade de ter a própria cultura, nem liberdade política.

Nós celebraremos o dia mundial do Tibete até que o Tibete tenha novamente o direito de ser um país livre e independente. Para que isso possa realizar-se o Tibete precisa da nossa ajuda. Uma opinião publica melhor informada e mais atuante pode pressionar o governo da China a iniciar um diálogo com o Dalai Lama, sem as condições previas que atualmente está impondo.

Isto pode ser obtido, só depende de uma maior conscientização internacional e do uso consciente de nossa cidadania. Podemos e devemos pedir, reiteradamente, para a China, que cumpra o que se comprometeu quando assinou os tratados da ONU sobre Direitos Humanos. Divulgar o evento do Dia Internacional do Tibete, informar sobre o seu significado e comemorar pacificamente este dia é um jeito de estar pedindo isso.

Em julho do ano passado, 51 cidades de 10 países participaram das celebrações deste dia e, decorrente desta data, originou-se um movimento mundial em prol da Liberdade de Culto no Tibete e da Liberdade Universal de Religião: o Interfaith Call. Como foi mostrado nos filmes "Kundun" e "Sete anos no Tibet", a sobrevivência do povo tibetano está inexoravelmente ameaçada, tal como sua religião e sua cultura.

Desde que o Tibete foi invadido pela China, em 1950, 1 milhão e duzentos mil pessoas foram mortas e mais de seis mil mosteiros foram destruídos. Em 1959 o Dalai Lama teve que fugir e passar a viver em exílio, tentando preservar a cultura e a religião de seu povo e procurando estabelecer um dialogo pacifico com o governo da China.

Mas a cultura e o povo tibetano ainda estão enfrentando a ameaça de extinção em sua própria pátria, e só a nossa ajuda pode frear esta forma de genocídio.

Tomem iniciativas, participem, façam a diferença. Nós podemos. Os que estão dentro do Tibete não podem.

Tibete livre!  (www.freetibet.org)



 



Escrito por Marina às 00h15
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Eu Tou Tentando

Kid Abelha

Composição: George Israel / Paula Toller

Eu tô tentando largar o cigarro
Eu tô tentando remar meu barco
Eu tô tentando armar um barraco
Eu tô tentando
Não cair no buraco...

Eu tô tentando tirar o atraso
Eu tô tentando te dar um abraço
Eu tô penando
Prá driblar o fracasso
Eu tô brigando
Prá enfrentar o cagaço...

Eu tô tentando ser brasileiro
Eu tô tentando
Saber o que é isso
Eu tô tentando ficar com Deus
Eu tô tentando
Que Ele fique comigo...

Eu tô fincando meus pés no chão
Eu tô tentando ganhar um milhão
Eu tô tentando ter mais culhão
Eu tô treinando prá ser campeão...

Eu tô tentando
Ser feliz (Ser Feliz!)
Eu tô tentando
Te fazer feliz...

Eu tô tentando entrar em forma
Eu tô tentando enganar a morte
Eu tô tentando ser atuante
Eu tô tentando ser boa amante...

Eu tô tentando criar meu filho
Eu tô tentando fazer meu filme
Eu tô chutando prá marcar um gol
Eu tô vivendo de Rock'n Roll...

Eu tô tentando
Ser feliz (Ser Feliz!)
Eu tô tentando
Te fazer feliz...





Escrito por Marina às 19h57
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Ana Carolina - Garganta
Totonho Villeroy

Minha garganta estranha quando não te vejo
Me vem um desejo doido de gritar
Minha garganta arranha a tinta e os azulejos
Do teu quarto, da cozinha, da sala de estar
Minha garganta arranha a tinta e os azulejos
Do teu quarto, da cozinha, da sala de estar
Venho  madrugada perturbar teu sono
Como um cão sem dono me ponho a ladrar
Atravesso o travesseiro, te reviro pelo avesso
Tua cabeça enlouqueço, faço ela rodar
Atravesso o travesseiro, te reviro pelo avesso
Tua cabeça enlouqueço, faço ela rodar
Sei que não sou santa, as vezes vou na cara dura
As vezes ajo com candura pra te conquistar
Mas não sou beata, me criei na rua
E não mudo minha postura só pra te agradar
Mas não sou beata, me criei na rua
E não mudo minha postura só pra te agradar
Vim parar nessa cidade, por força da circunstância
Sou assim desde criança, me criei meio sem lar
Aprendi a me virar sozinha,
e se eu tô te dando linha é pra depois te abandonar
Aprendi a me virar sozinha
e se eu tô te dando linha é pra depois te abandonar

Musica feita pra mim! rsrsrs...




Escrito por Marina às 20h30
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Feliz Ano Novo!!

Ah... se o mundo inteiro me pudesse ouvir,
Tenho muito pra contar,
Dizer que aprendi
Que na vida agente tem que aprender,
Que um nasce pra sofrer
Enquanto o outro ri.

Mas, quem sofre sempre tem que procurar,
Pelo menos vir achar
Sua razão para viver.
Ver na vida algum motivo pra sonhar,
Ter um sonho todo azul,
Azul da cor do mar...
(Tim Maia)

By the sea por Mark King


Henrique de Souza Filho (1944-1988), o cartunista Henfil, tornou-se uma das principais vozes de oposição à ditadura militar. Em 4 de janeiro de 2008 completam-se 20 anos da morte deste artista mineiro.



  



Escrito por Marina às 21h17
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HOJE É O DIA DA MÚSICA!!


Angra dos Reis - Legião Urbana

Deixa, se fosse sempre assim
Quente, deita aqui perto de mim
Tem dias, que tudo está em paz
E agora os dias são iguais..

Se fosse só sentir saudade
Mas tem sempre algo mais
Seja como for
É uma dor que dói no peito
Pode rir agora
Que estou sozinho
Mas não venha me roubar...

Vamos brincar perto da usina
Deixa prá lá
A Angra é dos Reis
Por que se explicar
Se não existe perigo...

Senti teu coração perfeito
Batendo à toa e isso dói
Seja como for
É uma dor que dói no peito
Pode rir agora
Que estou sozinho
Mas não venha me rouba
Uh! Uh! Uh! Uh!...

Vai ver que não é nada disso
Vai ver que já não sei quem sou
Vai ver que nunca fui o mesmo
A culpa é toda sua e nunca foi...

Mesmo se as estrelas
Começassem a cair
A luz queimasse tudo ao redor
E fosse o fim chegando cedo
Você visse o nosso corpo
Em chamas!
Deixa, prá lá...

Quando as estrelas
Começarem a cair
Me diz, me diz
Pr'onde é
Que a gente vai fugir?




Escrito por Marina às 23h00
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Por tudo que minha mãe ensinou sobre hinduísmo, a minha mestre Alê e ao Hatha Yoga (sempre!!)


Ganesha - ou Ganesh - é o deus do sucesso e superação de obstáculos, mas é também associado com a visão, aprendizado, prudência e força. Como deus do sucesso, seu nome é invocado no início de um evento importante. Como removedor de obstáculos, ele é invocado ao começo de qualquer jornada, casamento, ritos religiosos, construção de casas, a escrita de um livro ou mesmo uma carta.

O Simbolismo de Ganesh/Ganesha

Grandes orelhas: ouça mais
Grande cabeça: pense grande
Olhos pequenos: concentre-se
Boca pequena: fale menos
Machado: corta fora todas as ligações acessórias
Mão em posição de bênção: bênção e proteção para o caminho espiritual supremo
Grande estômago: digestão pacífica de todo o bem e mal na vida
Corda: Colocar você mais próximo de sua maior vitória
Uma presa: reter o bem, descartar o mal
Tromba: grande eficiência e adaptação
Rato: desejo. A menos que, sob controle, pode causar frustração, você deve segurar o desejo e mantê-lo sob controle e não permitir que ele controle sua vida.


OM BHUR BHUVAH SWAH TAT SAVITUR VARENYAM BHARGO DEVASYA DHIMAHI DHIYO YO NAH PRACHODAYAT

(Gayatri Mantra)


 



Escrito por Marina às 19h38
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Uma menina. Um homem. Uma intensa e desesperada paixão. Proibida e incontrolável. Capaz de fazer parar todo o universo numa explosão de desejo e, no instante seguinte, tornar-se o mais cruel dos sentimentos. Aquela linha tênue que separa – e mistura – amor e ódio. Recheada de fortes emoções: assim é “Presença de Anita”. A minissérie conta a história do amor entre uma bela ninfeta e um escritor casado, uns bons anos mais velho. Anjo ou demônio? Um misto de ingenuidade e dissimulação.

 

Assim como a instigante Lolita faz com o professor de meia-idade do clássico romance de Nabokov, Anita seduz seu amado Nando e os dois vivem uma atração arrebatadora e perigosa. Anita encanta e ao mesmo tempo assusta. Uma menina que invade os sonhos de um homem e destrói uma família, sem dor nem piedade. Uma relação que mexe com questões morais e fetiches do universo masculino e feminino.

 

"Só vejo um caminho: morrermos juntos de uma vez!"

 

 

"que idade você tem? quem você é? de onde você vem? do que você vive? às vezes eu penso que nunca saberei dessas coisas porque tudo que você disser vai ser sempre mentira! não porque você seja mentirosa! mas porque você... você já não sabe mais o que é a verdade! acho que é por isso que eu te amo! porque eu não sei quem você é!"

 




Escrito por Marina às 22h44
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A melhor minissérie

 


 

Presença de Anita - (Ne Me Quitte Pas)

 Não me deixe
Devemos esquecer
Tudo pode ser esquecido
Que já tenha passado
Esquecer os tempos
Dos mal-entendidos
E os tempos perdidos
Tentando saber como
Esquecer as horas
Que as vezes mataram
Com sopros de porque
O coração de felicidade
Não me deixe
Eu vou te oferecer
Pérolas de chuva
Que vêm dos países
Onde não chove
Eu vou cavar a terra
Até a minha morte
Para cobrir teu corpo
De ouro e luzes
Eu farei uma terra
Onde o amor será rei
Onde o amor será lei
Onde tu serás rainha
Não me deixe
Eu inventarei
Palavras sem sentido
Que tu compreenderás
Eu te falarei
Sobre os amantes
Que viram duplamente
Seus corações incendiarem-se
Eu te contarei
A história deste rei
Morto por não poder
Te reencontrar
Não me deixe
Nós freqüentemente vemos
Renascer o fogo
Do vulcão antigo
Que pensamos estar velho demais
Nos é mostrado
Em terras que foram queimadas
Nascendo mais trigo
Do que no melhor abril
E quando vem a noite
Com um céu flamejante
O vermelho e o negro
Não se casam
Não me deixe
Eu não vou mais chorar
Eu não vou mais falar
Eu me esconderei lá
Para te contemplar
A dançar e sorrir
E para te ouvir
Cantar e então rir
Deixa que eu me torne
A sombra da tua sombra
A sombra da tua mão
A sombra do teu cachorro
Não me deixe

 


 



Escrito por Marina às 22h24
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Boa semana




Escrito por Marina às 19h49
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O Vento

Los Hermanos

Composição: Rodrigo Amarante

Posso ouvir o vento passar,
assistir à onda bater,
mas o estrago que faz
a vida é curta pra ver...
Eu pensei..
Que quando eu morrer
vou acordar para o tempo
e para o tempo parar:
Um século, um mês,
três vidas e mais
um passo pra trás?
Por que será?
... Vou pensar.

- Como pode alguém sonhar
o que é impossível saber?
- Não te dizer o que eu penso
já é pensar em dizer
e isso, eu vi,
o vento leva!
- Não sei mais
sinto que é como sonhar
que o esforço pra lembrar
é a vontade de esquecer...
E isso por que?
Diz mais!
Uh... Se a gente já não sabe mais
rir um do outro meu bem então
o que resta é chorar e talvez,
se tem que durar,
vem renascido o amor
bento de lágrimas.
Um século, três,
se as vidas atrás
são parte de nós.
E como será?
O vento vai dizer
lento o que virá,
e se chover demais,
a gente vai saber,
claro de um trovão,
se alguém depois
sorrir em paz.
Só de encontrar... Ah!!!





Escrito por Marina às 21h54
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Olhos Coloridos - Sandra de Sá

Composição: Macau

Os meus olhos coloridos
Me fazem refletir
Eu estou sempre na minha
E não posso mais fugir

Meu cabelo enrolado
Todos querem imitar
Eles estão baratinados
Também querem enrolar

Você ri da minha roupa
Você ri do meu cabelo
Você ri da minha pele
Você ri do meu sorriso

A verdade é que você,
Tem sangue crioulo
Tem cabelo duro
Sarará crioulo

Sarará crioulo, sarará crioulo....


 


Escrito por Marina às 22h00
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Bom feriado!!

Não vale a pena
(Maria Rita)
J. Garfunkel / P. Garfunkel 
 
Ficou difícil
Tudo aquilo, nada disso
Sobrou meu velho vício de sonhar
Pular de precipício em precipício
Ossos do ofício
Pagar pra ver o invisível
E depois enxergar


Que é uma pena
Mas você não vale a pena
Não vale uma fisgada dessa dor
Não cabe como rima de um poema
De tão pequeno
Mas vai e vem e envenena
E me condena ao rancor
De repente, cai o nível
E eu me sinto uma imbecil
Repetindo, repetindo, repetindo
Como num disco riscado
O velho texto batido
Dos amantes mal-amados
Dos amores mal-vividos
E o terror de ser deixada
Cutucando, relembrando, reabrindo
A mesma velha ferida
E é pra não ter recaída
Que não me deixo esquecer

 



 


Escrito por Marina às 19h14
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90 anos da Revolução Russa: um sonho de liberdade e emancipação

Desde o início dos tempos, o sonho maior do homem é a conquista da liberdade e emancipação em sua relação com a natureza e com o próprio homem. Dos tempos mais antigos, em 70 antes de Cristo, uma tentativa acontece para tornar real um sonho dos mais conhecidos, o sonhado por Espartanos e mais outros milhares de escravos. Ousadia rebelde que humilha o Império Romano com duas grandes derrotas militares.

 

Na década de 70 do século XX, a história se repete. O povo heróico do Vietnã expulsa de sua pátria o mais poderoso exército do Império, o dos EUA. Este grandioso episódio da história humana revela à classe trabalhadora mundial que é possível derrotar o capital, suas forças armadas e sua mais avançada tecnologia.

 

Muitas outras batalhas são travadas no tempo. O objetivo estratégico é o de construir um novo homem/nova sociedade: sem classes, libertária e igualitária.  Esta sociedade torna-se a maior utopia de todas já sonhadas pelos explorados e oprimidos da Terra. Porém, muitas dessas lutas acabam transformando-se em trágicos pesadelos. No entanto, as derrotas sofridas nunca puseram fim ao sonho. Muito pelo contrário, os erros, as derrotas e a dor sentida pela morte de milhares de heróis desconhecidos, passaram a forjar novos heróis, mais aguerridos para o enfrentamento da morte mais adiante.

 

O Quilombo dos Palmares de Zumbi foi um sonho. Canudos de Antonio Conselheiro outro. A Comuna de Paris mais um. E a Revolução Russa o maior de todos. No século XIX, os ideais libertários e emancipatórios empolgam as massas trabalhadoras e as põem em marcha pela conquista do sonho.  Os ideais de Saint Simon, Fourier, Owen, Proudhon, Kropotkin e outros socialistas não marxistas, mais os de Marx, Engels, Trotski, Lenin e outros marxistas, abriram caminhos para a classe trabalhadora travar suas lutas por profundas mudanças socioeconômicas, que a levassem à democracia, à sociedade socialista rumo à comunista.

 

A Revolução Russa foi um dos ápices desse momento histórico. Talvez o mais grandioso e glorioso de todos. Depois de um processo de meses de lutas políticas, os trabalhadores revolucionários decretam o fim do governo provisório e entregam o poder ao Conselho de Petrogado no dia 25 de outubro de 1917. Neste dia nasce a República Socialista Soviética, com ela o primeiro estado socialista da história. A Revolução Russa foi obra do sonho sonhado por milhões de operários, camponeses e soldados. E não só de seus lideres. E mais, teve como uma de suas principais palavras de ordem: Todo Poder aos Conselhos!

 

A experiência socialista soviética foi breve. Oficialmente dura pouco mais de 70 anos. No entanto, o início do fim do sonho se dá muitos anos antes. Acontece quando a liderança “revolucionária” realiza a substituição do governo autogestionário dos Conselhos por uma máquina burocrática ditatorial e policial, controlada por um só partido e este por um só homem. Mas o sonho socialista soviético marca profundamente o século XX. Tanto que Eric J. Hobsbawn afirma: O século XX começa em 1917 e termina em 1989, com a queda do Muro de Berlim.     

 

Mas o sonho não acabou com o fim da União Soviética. Mesmo porque os novos tempos do século XXI trazem a informalidade, desemprego e exclusão social estruturais para a maioria da classe trabalhadora mundial. E esta, mais uma vez, é obrigada a se por na luta pela construção de um outro mundo possível.  Como afirma Marx: “A emancipação dos trabalhadores será feita pelos próprios trabalhadores”.

 

No contexto político e ideológico dos dias atuais, a luta pelo fim da sociedade capitalista passa pela radicalização das lutas pela construção de uma democracia participativa em todo mundo e um combate profundo e sem tréguas à alienação dos trabalhadores. As ilusões produzidas pelo capital os aprisiona a um viver subordinado, alienado e alienante, individualista e egoísta. Para o capital não passam de uma mercadoria, assim como tudo em sua volta. O pior é que os fantásticos apelos mercadológicos da sociedade de consumo são criados para “drogar” a classe trabalhadora. São produzidos cientificamente pela mídia e marketing de sua propriedade para melhor manipular a vontade e desejos mais íntimos dos trabalhadores.

 

A sociedade capitalista do espetáculo da mídia, da aparência da cópia, do uso efêmero e do desempenho do homem máquina, jamais deixará de explorar e oprimir o ser humano. Mas a ela o homem sempre reagirá!

 

- Porque não se pode viver sem amar a si e ao outro, aprisionado pelo apego alienado e insaciável à propriedade privada de todos e de tudo existente em nosso planeta.

 

- Porque não se pode tolerar ser apenas uma caricatura e não um ser humano, produzida por um viver que reconhece as pessoas pelo que elas têm e não pelo que são.

 

- E porque não se pode aceitar a ditadura cruel e perversa de uma economia voltada para que poucos tenham muito e muitos tenham pouco.

 

Portanto, torna-se imperioso continuar lutando pelo fim da exploração e opressão do homem pelo homem.

 

VIVA A REVOLUÇÃO RUSSA E SEUS 90 ANOS!

O SONHO NÃO ACABOU! 

TRABALHADORES DE TODO O MUNDO UNÍ-VOS!

 

Por Serginho Athayde, Secretário de Formação da CUT-PR e Coordenador da Agência de Desenvolvimento Solidário – Seção Paraná (ADS/CUT-PR)

 

 

 




Escrito por Marina às 11h07
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Todas as cartas de amor...

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
C
omo os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente Ridículas.)

Fernando Pessoa
(Poesias de Álvaro de Campos 21/10/1935)





Escrito por Marina às 18h07
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